Patos-PB, 16 de Janeiro de 2018

O salário mais alto é sempre a melhor escolha?

31, Oct 2016

“O que você quer ser quando crescer?” A primeira resposta que me lembro de ter dado a essa pergunta foi, humildemente, “CEO”. O que isso significava eu não sabia, mas pelo que eu ouvia, era o melhor cargo a se ter.

Quando convivemos com muitos médicos, ouvimos sobre medicina. Quando convivemos com muitos advogados, são debatidas leis e a justiça à mesa de jantar. O mesmo ocorre com empresários. Sempre convivi com pessoas do mundo corporativo e entendia que CEO era o emprego dos sonhos. Mas será que isso vale para todos? É ai que mora a confusão.

Aprendemos diariamente com as pessoas que nos cercam: como nos portar, como nos relacionar com os outros e, consequentemente, como vemos as nossas carreiras.

Quando cresci, sabia que queria ser feliz profissionalmente e meus pais eram felizes trabalhando em empresas. Sem me questionar muito, optei pelo mesmo caminho. Foquei-me, então, em buscar empresas onde os funcionários eram mais felizes: Google e Disney. Esses eram os meus sonhos. Não importava a vaga, eu me candidatava.

Até que entrei em uma grande multinacional, considerada a “empresa dos sonhos dos jovens” da época. Nos primeiros meses fui muito feliz; tinha uma chefe incrível que me ensinava muito, reconhecia publicamente meu valor e era atenciosa. Constantemente me chamava para reuniões e me apresentava a pessoas das mais diversas áreas. A parte chata do trabalho pouco importava. Um ano depois, fui convidada para mudar de área e ganhar um bom aumento. Senti-me ‘poderosa’ e fui. O aumento veio em boa hora e fiquei ‘nas nuvens’. Porém, comecei a responder para um gestor que não admirava, que não me incluía nos projetos ou reuniões e meu interesse caiu, assim como meu desempenho. Comecei a achar a vaga chata e o trabalho maçante.

Isso quer dizer que o salário pouco importava? Não. Era ótimo e eu fiquei muito feliz. Mas depois de um tempo, outras coisas faziam falta. O que eu realmente buscava? Dia a dia dinâmico, contato com pessoas, aprender, admirar, acolhimento e reconhecimento público. Esses são alguns exemplos do que chamamos de valores.

Valor é o que move a nossa alma, representa nossa essência e nos direciona para onde desejamos chegar. Nos mostra o que é correto para nós e, quando vamos contra eles, é como se sentíssemos uma ‘fisgada no estômago’. Desconforto mesmo. Parece que algo está fora do lugar. Os valores nos dão base para escolher nossas ações e caminho.

Todos têm os mesmos valores? Não. Digo que, assim como nosso sangue, nossos valores tem seu próprio ‘DNA’, pois nunca encontraremos uma pessoa que tem todos os valores exatamente iguais aos nossos. Muitos em comum? Com certeza. Porém algum valor que passa despercebido por você pode ser inaceitável para o seu melhor amigo ou irmão.

Certo dia, ouvi de uma cliente: “estou concorrendo a duas vagas. Uma paga muito bem, tem baixa rotatividade de funcionários e eu domino a função. A outra é descolada, perto de casa e tem uma equipe receptiva, porém paga menos”. Conversando com amigos, eles a apoiaram a escolher o primeiro. Salário, estabilidade e domínio na sua área. A escolha dela? A segunda.

Por que? A outra vaga a conquistou porque foi ao encontro de seus valores: qualidade de vida (por ser perto e não ter que usar carro), pertencimento e informalidade. Os valores, quando atendidos, te ajudam a agir de uma maneira mais precisa e ficamos menos vulneráveis a obstáculos internos e externos.

Pbagora com Finanças Femininas 

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