Patos-PB, 15 de Dezembro de 2017

Fabiano Gomes : “Maranhão é candidato em qualquer cenário”

02, Aug 2017

Não é por acaso que muitos analistas gabaritados da Paraíba consideram o senador José Maranhão a maior raposa política do Estado, desde Jose Américo de Almeida. Ainda com vantagem sobre o consagrado escritor de “A Bagaceira”, já que este não conseguiu ser governador por três vezes e nem senador por dois mandatos.

Do alto de seus 85 anos, José Targino Maranhão prepara mais um lance ousado em sua vitoriosa carreira política. Ousadia essa que começou bem cedo, aos 18 anos (alguns falam em 17 incompletos), elegendo-se deputado estadual. Ele será candidato a governador do Estado nas próximas eleições, repetindo a imponderabilidade de 2012, quando perdeu para prefeito, ficando em quarto lugar; e de 2014, quando elegeu-se senador, em uma chapa cujo candidato a governador teve apenas 4% dos votos.

Maranhão adiciona também uma vantagem atual contra esses dois pleitos recentes: na época ele não exercia mandato e tinha o que perder, além de sua vasta biografia. Atualmente, ele não tem o que perder, pois ficará no cargo de senador até 2022, quando completará simplesmente 90 aninhos.

A confidência sobre os planos maranhistas vem de alguém que desfruta de muita proximidade no meio jornalístico com o líder de Araruna. E o raciocínio do senador é muito simples e se encaixa em qualquer cenário político, uma vez que ele comanda com mão de ferro um dos maiores partidos do Estado.

Nessa lógica, Maranhao vai trabalhar inicialmente para ser o candidato de oposição, mas sem fechar totalmente as portas para o Governo. Ele acha mais fácil bater o secretário João Azevedo, que não emplacaria por ser “um técnico que desconhece os caminhos sinuosos” da política tabajara.

No raciocínio de Maranhão, tanto Ricardo Coutinho, quanto Luciano Cartaxo e Romero Rodrigues terão que deixar os seus cargos até 7 de abril do próximo ano, a fim de poderem disputar qualquer mandato em 2018. Enquanto ele não deixa nada e ainda concorre no exercício do cargo. Sem as canetas e as chaves dos cofres, esses três governantes dependeriam de seus sucessores. O vice de Cartaxo, por exemplo, é do PMDB de Maranhão, que jamais iria para uma disputa dessas sem uma aliança ampla e a estrutura peemedebista no Estado.

Na ótica de Maranhão, Cassio não vai arriscar uma disputa ao Governo e perder a vaga “quase garantida” no Senado, ainda mais com a decisão de Ricardo em abdicar da disputa. Mas se um desses três citados (ou o quarto chamado Pedro Cunha Lima) baterem o pé e irem pra disputa, Maranhão já deixou claro em entrevistas que o seu PMDB vai “para onde for mais prestigiado”.

O mesmo argumento de que João Azevedo não emplaca como candidato a governador serve também para Maranhão considerar que Ricardo, ficando no cargo e sacrificando seu futuro político, não vá querer entregar de bandeja o governo ao adversário pessoense, no caso Cartaxo, ou ao inimigo maior, Cassio Cunha Lima. Aí ele entra como a solução para a vitória em uma chapa com Azevedo de vice.

O Plano C de Maranhão é ainda mais ousado, embora testado nas suas duas disputas anteriores. Rc não abre mão de João Azevedo e a oposição vai de Cartaxo ou Romero. “Sem problemas, Maranhao é candidato do mesmo jeito”. Se o candidato do governador não lograr êxito, como acredita, Maranhão receberia o apoio no segundo turno. E se o nome da oposição naufragar, naturalmente o PMDB receberá seu apoio diante do grau de radicalização que já está ocorrendo na Paraíba entre ricardistas e cassistas.

E para completar, se todas essas possibilidades não se concretizarem, o maranhismo acha que não perde nada e ainda pode ganhar. Caso não vá para o segundo turno, seu apoio será cortejado e decisivo, assim como o foi o do candidato do PMDB na eleição passada, Vital do Rego, que com apenas 4% decidiu a eleição no segundo turno em favor de Ricardo Coutinho. E voltou para seu mandato no Senado. Tal qual Maranhão em caso de derrota.

Para ilustrar toda a estratégia pré-montada na cabeça de José Maranhão e diante de minha incredulidade, até por causa da idade avançada e por já ter realizado o sonho de qualquer político por três vezes, fui convencido pelo arremate final da interlocução maranhista: “Ô Fabiano, tu achas que um homem de 85 anos, que ainda tem mandato no Senado por mais cinco, iria deixar de estar em sua cama quentinha no Altiplano, para enfrentar um frio de 16 graus, sábado à noite em Solânea, se não fosse candidato a nada no ano que vem?”.

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